28 de Junho: A Luta LGBTQIA+ é, Acima de Tudo, uma Luta de Classe e de Resistência
Servidores e servidoras LGBTQIA+ que muitas vezes precisam esconder suas identidades, afetos e famílias para evitar o assédio moral, a discriminação de chefias ou o isolamento entre os colegas.
Publicado: 27 Junho, 2026 - 11h17 | Última modificação: 27 Junho, 2026 - 11h25
Escrito por: Loide Ostrufka
O dia 28 de junho não nasceu para ser apenas uma data de celebração colorida. Ele nasceu do eco de vozes cansadas da violência, da invisibilidade e da opressão nas ruas de Nova York, em 1969, no levante de Stonewall. Décadas se passaram, conquistamos espaço, mas a pergunta que nos cabe fazer hoje, enquanto lideranças e trabalhadoras, é: o que temos para comemorar diante das profundas dificuldades que a nossa comunidade ainda enfrenta diariamente?
Viver como uma pessoa LGBTQIA+ no Brasil de hoje ainda significa caminhar sob o signo do risco. Continuamos no topo do trágico ranking de países que mais matam pessoas trans e travestis. Assistimos, com indignação, a tentativas constantes de retrocessos legislativos que tentam apagar nossas famílias, silenciar o debate sobre gênero nas escolas e esvaziar políticas públicas conquistadas a duras penas. Para além da violência física, enfrentamos a violência silenciosa da exclusão econômica. E é aqui que a nossa atuação na Confetam se faz central.
O Chão de Fábrica e o Balcão do Serviço Público
A LGBTfobia estrutural se reflete diretamente no mundo do trabalho. A população trans, por exemplo, ainda é empurrada majoritariamente para a informalidade e a marginalidade por falta de oportunidades formais. E quando olhamos para o serviço público municipal — a linha de frente do atendimento à população —, as dificuldades se desdobram em duas vias:
A dor de quem atende: Servidores e servidoras LGBTQIA+ que muitas vezes precisam esconder suas identidades, afetos e famílias para evitar o assédio moral, a discriminação de chefias ou o isolamento entre os colegas.
A dor de quem é atendido: A precarização dos serviços públicos, o desmonte de secretarias de direitos humanos e a falta de capacitação de servidores que, por vezes, perpetuam o preconceito institucional na saúde, na assistência social e na educação.
Não há dignidade no trabalho se o trabalhador precisa deixar sua identidade na porta de entrada do serviço público. Garantir o respeito ao nome social, combater o assédio homofóbico e transfóbico nas repartições e assegurar licenças e direitos previdenciários igualitários para famílias homoafetivas são pautas urgentes do nosso fazer sindical.
Resistir para Transformar
Diante desse cenário desafiador, o 28 de junho na Confetam não é um dia de trégua; é um dia de convocação.
Nossa resposta ao ódio não pode ser o recuo. A nossa resposta é a organização sindical. Precisamos fortalecer a nossa rede, pautar a diversidade nas negociações coletivas, exigir que as prefeituras criem e mantenham canais eficazes de denúncia e, acima de tudo, acolher quem está na ponta sendo silenciado.
Nossa luta não se resume a um mês do ano. Ela acontece a cada atendimento público humanizado, a cada comitê de diversidade criado, a cada vez que barramos o preconceito em uma mesa de negociação. Neste Dia do Orgulho, reafirmamos: a emancipação da classe trabalhadora só será real quando todas, todos e todes nós pudermos trabalhar, amar e existir sem medo. Seguiremos em marcha, nenhum passo atrás, nenhum direito a menos.
