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Por que é tão difícil falar de violência contra a mulher?

Artigo da secretária da Mulher Trabalhadora da Confetam/CUT, Ozaneide de Paulo.

Escrito por: Confetam • Publicado em: 25/11/2022 - 11:04 • Última modificação: 25/11/2022 - 11:18 Escrito por: Confetam Publicado em: 25/11/2022 - 11:04 Última modificação: 25/11/2022 - 11:18

Confetam/CUT

 

Como é difícil falar de violência. Ouvir sobre violência. Mas o mais difícil é o que ocorre com mulheres que sofrem violência. Quando falamos em ativismo, a imagem que vem é a das mobilizações, dos protestos que as mulheres organizadas fazem, mas o nosso movimento pelo fim da violência contra a mulher não acontece só nas manifestações. É um trabalho diário de conscientização, ação e ressignificação porque nem toda violência é visível. Ela pode ser psicológica ou patrimonial por exemplo. Ela está presente quando uma mulher está com medo de esperar seu transporte no ponto de ônibus. Ela acontece quando homens ganham mais que mulheres negras nas mesmas ocupações. E quando as mulheres relatam já terem sofrido assédio em espaços públicos.

E para além dessa violência que faz parte do nosso cotidiano, temos os dados mais graves como uma agressão física a cada dois minutos e um estupro a cada oito minutos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o fato de uma mulher ter sido assassinada a cada duas horas nesses últimos anos (Atlas da Violência/Ipe , coloca o feminicídio no topo de morte de mulheres.

As Mulheres ainda precisam conquistar equidade no trabalho, condições mais favoráveis para balancear carreira e maternidade, reconhecimento do trabalho não remunerado de cuidado, divisão do trabalho doméstico de forma mais equilibrada. Mas como pensar em justiça social quando o básico, o direito à vida e à integridade do corpo feminino ainda não é respeitado?

Por isso é muito importante falarmos sobre a campanha mundial “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, iniciada no dia 20 de novembro e que vai até o dia 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Essa mobilização acontece em cerca de 150 países, e no Brasil desde 2003. Nos outros países a campanha começa no dia 25 de novembro (Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres), mas por aqui começamos antes de forma a incorporar o Dia da Consciência Negra.

A Organização das Nações Unidas no Brasil escolheu como tema em 2020 “Onde Você Está que Não me Vê?”, com o conceito “Somos Nossa Existência”. Inspirada pela música “O que se Cala”, de Douglas Germano com interpretação de Elza Soares, a proposta da ONU Brasil é destacar o processo de invisibilização e violência que as mulheres e meninas têm enfrentado antes e durante a pandemia da Covid-19.

Mais do que atuar nesses 16 dias, é fundamental falar sobre a violência que existe. Que infelizmente sempre existiu. Expor os dados, mostrar a necessidade urgente de mudança que temos. Às vezes quem precisa de ajuda está mais próxima do que imaginamos. Precisamos fazer com que o conhecimento chegue às mulheres que se sentem sozinhas, que estão em uma situação de violência e não sabem a quem recorrer. Elas precisam saber que existe uma saída.

O nosso crescimento depende de um mundo mais justo e seguro para as mulheres. O começo está em entender as nuances da violência que estão tão intrínsecas aos costumes do Brasil. Um mal que talvez seja um dos mais importantes a ser combatido. Mulheres livres são o presente e futuro do nosso país. Não nos calarão.

 

Maria Ozaneide de Paulo

Professora/Pedagoga

Secretária  nacional de Mulheres da CONFETAM/CUT e integrante do Fórum Cearense de Mulheres/AMB

 

Título: Por que é tão difícil falar de violência contra a mulher?, Conteúdo:   Como é difícil falar de violência. Ouvir sobre violência. Mas o mais difícil é o que ocorre com mulheres que sofrem violência. Quando falamos em ativismo, a imagem que vem é a das mobilizações, dos protestos que as mulheres organizadas fazem, mas o nosso movimento pelo fim da violência contra a mulher não acontece só nas manifestações. É um trabalho diário de conscientização, ação e ressignificação porque nem toda violência é visível. Ela pode ser psicológica ou patrimonial por exemplo. Ela está presente quando uma mulher está com medo de esperar seu transporte no ponto de ônibus. Ela acontece quando homens ganham mais que mulheres negras nas mesmas ocupações. E quando as mulheres relatam já terem sofrido assédio em espaços públicos. E para além dessa violência que faz parte do nosso cotidiano, temos os dados mais graves como uma agressão física a cada dois minutos e um estupro a cada oito minutos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o fato de uma mulher ter sido assassinada a cada duas horas nesses últimos anos (Atlas da Violência/Ipe , coloca o feminicídio no topo de morte de mulheres. As Mulheres ainda precisam conquistar equidade no trabalho, condições mais favoráveis para balancear carreira e maternidade, reconhecimento do trabalho não remunerado de cuidado, divisão do trabalho doméstico de forma mais equilibrada. Mas como pensar em justiça social quando o básico, o direito à vida e à integridade do corpo feminino ainda não é respeitado? Por isso é muito importante falarmos sobre a campanha mundial “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, iniciada no dia 20 de novembro e que vai até o dia 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Essa mobilização acontece em cerca de 150 países, e no Brasil desde 2003. Nos outros países a campanha começa no dia 25 de novembro (Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres), mas por aqui começamos antes de forma a incorporar o Dia da Consciência Negra. A Organização das Nações Unidas no Brasil escolheu como tema em 2020 “Onde Você Está que Não me Vê?”, com o conceito “Somos Nossa Existência”. Inspirada pela música “O que se Cala”, de Douglas Germano com interpretação de Elza Soares, a proposta da ONU Brasil é destacar o processo de invisibilização e violência que as mulheres e meninas têm enfrentado antes e durante a pandemia da Covid-19. Mais do que atuar nesses 16 dias, é fundamental falar sobre a violência que existe. Que infelizmente sempre existiu. Expor os dados, mostrar a necessidade urgente de mudança que temos. Às vezes quem precisa de ajuda está mais próxima do que imaginamos. Precisamos fazer com que o conhecimento chegue às mulheres que se sentem sozinhas, que estão em uma situação de violência e não sabem a quem recorrer. Elas precisam saber que existe uma saída. O nosso crescimento depende de um mundo mais justo e seguro para as mulheres. O começo está em entender as nuances da violência que estão tão intrínsecas aos costumes do Brasil. Um mal que talvez seja um dos mais importantes a ser combatido. Mulheres livres são o presente e futuro do nosso país. Não nos calarão.   Maria Ozaneide de Paulo Professora/Pedagoga Secretária  nacional de Mulheres da CONFETAM/CUT e integrante do Fórum Cearense de Mulheres/AMB  



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