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Na Casa Civil, Lula mudará a política econômica de Dilma, diz economista

Para Marcio Pochmann, a população demanda uma agenda política de esquerda. "O problema é que as esquerdas não ofertam essa agenda".

Escrito por: Confetam/CUT • Publicado em: 05/04/2016 - 18:38 • Última modificação: 07/04/2016 - 10:02 Escrito por: Confetam/CUT Publicado em: 05/04/2016 - 18:38 Última modificação: 07/04/2016 - 10:02

. Marcio Pochmann é presidente da Fundação Perseu Abramo

“Com a posse do Lula, na quinta-feira (07), eu tenho certeza de que haverá sinais claros de uma mudança na política econonômica do governo”. A afirmação foi feita pelo economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, durante o debate “O impacto da conjuntura nas cidades brasileiras”, promovido pelo gabinete da deputada federal Luizianne Lins (PT), no auditório do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta segunda-feira (04).

Pochmann se referiu à declaração do ex-presidente Lula, feita em Fortaleza no último sábado (02). “Se tudo der certo, e a Suprema Corte aprovar, quinta-feira eu assumirei a Casa Civil. Este país tem que mudar a economia, gerar emprego e renda para as pessoas”, disse Lula para milhares de manifestantes que lotaram a Praça do Ferreira.

Crítico da política econômica do país, Márcio Pochmann afirmou que o modelo atual levou o Brasil ao segundo ano consecutivo de recessão. “Lula estimulava a demanda. Dilma estimula a oferta de dinheiro para os ricos investirem na economia”, comparou.

Governabilidade construída nas ruas

A exemplo do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956/1961), o economista afirmou que a governabilidade do Brasil não deve ser alcançada no Congresso Nacional. “O Plano de Metas de Juscelino foi construído nas ruas, não no Parlamento. E é o que estamos fazendo: construindo a maioria, a governabilidade, a partir da ruas”, afirmou. “Precisamos voltar a conversar com as pessoas, como fazíamos nos anos 80, 90”, lembrou.

Apesar de reconhecer os avanços dos dois governos Lula (2003/2010) e do primeiro governo Dilma (2011/2014), o presidente da Fundação Perseu Abramo enfatizou que nestes três governos não houve uma reforma profunda porque não se teve maioria política para isso.

Sindicatos não formaram para a transformação

Márcio Pochmann também criticou o movimento sindical. Segundo ele, os sindicatos estão desconectados com a realidade e não conseguiram formar quadros para liderar o processo de transformação social. “1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil é administrado pelos sindicatos, que têm a maior imprensa do país, muito mais jornalistas que a Globo e a Folha de São Paulo, e produzem uma imprensa ruim, fragmentada, que não politiza”, avaliou.

Ele citou o caso do Fórum Nacional do Trabalho, criado para debater com empregados, patrões e governo a democratização das relações do trabalho, a partir da implementação da reforma sindical e trabalhista. “Não se conseguiu formalizar nenhum projeto de lei. A estrutura sindical virou uma máquina de dinheiro e conservadorismo”, disse.

Onde erramos?

O principal equívoco apontado por Márcio Pochmann foi a crença de que a vitória do projeto democrático popular do PT, nas eleições presidenciais de 2002, colocaria os trabalhadores no poder. “A vitória de 2002 não foi suficiente. Não ganhamos o poder. Foi o início de um grande ciclo de lutas que só nos permitiu recuperar o que o neoliberalismo nos retirou. Não houve espaço para reformas”, enfatizou.

No caso do programa Fome Zero, o economista afirma que o governo federal perdeu a oportunidade de transformar a população de miseráveis em atores políticos relevantes. “Inicialmente, o programa visava a organização dos pobres, mas não houve politização”, destacou. Uma das principais resistências partiu dos próprios gestores municipais. “Os prefeitos pensaram: 'quem organiza os pobres aqui sou eu'. O conservadorismo das cidades reagiu ao programa. Então, abandonamos o Fome Zero, introduzimos o Bolsa Família”, relembrou.

Inclusão pelo consumo e não pela cidadania

Na migração do Fome Zero para o Bolsa Família, o mesmo erro foi repetido, segundo Pochmann. Para ele, não houve a mobilização dos pobres, mas a transfiguração de potenciais agentes políticos de transformação em meros consumidores. “Novos grupos sociais surgem, mas não se organizam”.

Assim com os trabalhadores não foram organizados, não houve fomento à classe média, na visão do economista. “O capitalismo industrial não tem espaço para a classe média, não tem nível intermediário. Dos 22 milhões de empregos gerados, 90% tiveram remuneração de 1,5 salário mínimo. O país não criou emprego de classe média porque abandonamos a indústria, não temos emprego de qualidade. O que temos é uma classe média conservadora, que se afasta da emancipação, e uma sociedade do serviço, com produtividade baixíssima”, descreveu.

O abandono das reformas civilizatórias

O economista traçou um parelalelo entre a atual conjuntura do Brasil e os anos de 1880 – caracterizado pela crise do Império, a ascensão da República e o nascimento do capitalismo brasileiro – e 1930 – marcado pela grande depressão de 1929, o esgotamento político da República Velha e o surgimento do “Estado Moderno” com o capitalismo industrial.

“Houve o abandono das reformas civilizatórias, como a reforma agrária. Em 30 anos, nos tornamos um país urbano. Se tivesse sido feita, a reforma agrária teria evitado as cidades apartadas hoje no Brasil. Também não foi feita a reforma tributária, que determinou a ausência de progressividade dos impostos sobre renda e patrimônio, nem a reforma social. E hoje, apesar da universalização da educação, temos 40% de analfabetos funcionais”, constata.

Por uma agenda de esquerda para o Brasil

Márcio Pochman aponta o movimento de duas “placas tectônicas”: uma crise econômica de dimensão global, iniciada em 2008, sem solução a curto prazo, e o esgotamento do ciclo político da Nova República. “Saímos da ditadura sem a participação do povo, sem eleições diretas. Temos uma sociedade governada por velhos, que não lideram os novos, que ainda não assumiram o comando. As velhas elites querem continuar mandando e os novos ainda estão engatinhando. O velho ainda resiste”, analisa.

O economista defende a construção de uma nova agenda para o Brasil, que leve em consideração as transformações demográficas do país (aumento da expectativa de vida, redução da taxa de natalidade, as mudanças na família e no papel da mulher na sociedade, etc.) e o trabalho imaterial (a comunicação, a cooperação, o conhecimento, o saber, etc.), de maneira que resulte na alteração da natureza das políticas públicas.

“A população demanda uma agenda política de esquerda, na qual o conhecimento é o principal ativo da sociedade. O problema é que as esquerdas não ofertam essa agenda", concluiu.

Título: Na Casa Civil, Lula mudará a política econômica de Dilma, diz economista, Conteúdo: “Com a posse do Lula, na quinta-feira (07), eu tenho certeza de que haverá sinais claros de uma mudança na política econonômica do governo”. A afirmação foi feita pelo economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, durante o debate “O impacto da conjuntura nas cidades brasileiras”, promovido pelo gabinete da deputada federal Luizianne Lins (PT), no auditório do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta segunda-feira (04). Pochmann se referiu à declaração do ex-presidente Lula, feita em Fortaleza no último sábado (02). “Se tudo der certo, e a Suprema Corte aprovar, quinta-feira eu assumirei a Casa Civil. Este país tem que mudar a economia, gerar emprego e renda para as pessoas”, disse Lula para milhares de manifestantes que lotaram a Praça do Ferreira. Crítico da política econômica do país, Márcio Pochmann afirmou que o modelo atual levou o Brasil ao segundo ano consecutivo de recessão. “Lula estimulava a demanda. Dilma estimula a oferta de dinheiro para os ricos investirem na economia”, comparou. Governabilidade construída nas ruas A exemplo do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956/1961), o economista afirmou que a governabilidade do Brasil não deve ser alcançada no Congresso Nacional. “O Plano de Metas de Juscelino foi construído nas ruas, não no Parlamento. E é o que estamos fazendo: construindo a maioria, a governabilidade, a partir da ruas”, afirmou. “Precisamos voltar a conversar com as pessoas, como fazíamos nos anos 80, 90”, lembrou. Apesar de reconhecer os avanços dos dois governos Lula (2003/2010) e do primeiro governo Dilma (2011/2014), o presidente da Fundação Perseu Abramo enfatizou que nestes três governos não houve uma reforma profunda porque não se teve maioria política para isso. Sindicatos não formaram para a transformação Márcio Pochmann também criticou o movimento sindical. Segundo ele, os sindicatos estão desconectados com a realidade e não conseguiram formar quadros para liderar o processo de transformação social. “1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil é administrado pelos sindicatos, que têm a maior imprensa do país, muito mais jornalistas que a Globo e a Folha de São Paulo, e produzem uma imprensa ruim, fragmentada, que não politiza”, avaliou. Ele citou o caso do Fórum Nacional do Trabalho, criado para debater com empregados, patrões e governo a democratização das relações do trabalho, a partir da implementação da reforma sindical e trabalhista. “Não se conseguiu formalizar nenhum projeto de lei. A estrutura sindical virou uma máquina de dinheiro e conservadorismo”, disse. Onde erramos? O principal equívoco apontado por Márcio Pochmann foi a crença de que a vitória do projeto democrático popular do PT, nas eleições presidenciais de 2002, colocaria os trabalhadores no poder. “A vitória de 2002 não foi suficiente. Não ganhamos o poder. Foi o início de um grande ciclo de lutas que só nos permitiu recuperar o que o neoliberalismo nos retirou. Não houve espaço para reformas”, enfatizou. No caso do programa Fome Zero, o economista afirma que o governo federal perdeu a oportunidade de transformar a população de miseráveis em atores políticos relevantes. “Inicialmente, o programa visava a organização dos pobres, mas não houve politização”, destacou. Uma das principais resistências partiu dos próprios gestores municipais. “Os prefeitos pensaram: quem organiza os pobres aqui sou eu. O conservadorismo das cidades reagiu ao programa. Então, abandonamos o Fome Zero, introduzimos o Bolsa Família”, relembrou. Inclusão pelo consumo e não pela cidadania Na migração do Fome Zero para o Bolsa Família, o mesmo erro foi repetido, segundo Pochmann. Para ele, não houve a mobilização dos pobres, mas a transfiguração de potenciais agentes políticos de transformação em meros consumidores. “Novos grupos sociais surgem, mas não se organizam”. Assim com os trabalhadores não foram organizados, não houve fomento à classe média, na visão do economista. “O capitalismo industrial não tem espaço para a classe média, não tem nível intermediário. Dos 22 milhões de empregos gerados, 90% tiveram remuneração de 1,5 salário mínimo. O país não criou emprego de classe média porque abandonamos a indústria, não temos emprego de qualidade. O que temos é uma classe média conservadora, que se afasta da emancipação, e uma sociedade do serviço, com produtividade baixíssima”, descreveu. O abandono das reformas civilizatórias O economista traçou um parelalelo entre a atual conjuntura do Brasil e os anos de 1880 – caracterizado pela crise do Império, a ascensão da República e o nascimento do capitalismo brasileiro – e 1930 – marcado pela grande depressão de 1929, o esgotamento político da República Velha e o surgimento do “Estado Moderno” com o capitalismo industrial. “Houve o abandono das reformas civilizatórias, como a reforma agrária. Em 30 anos, nos tornamos um país urbano. Se tivesse sido feita, a reforma agrária teria evitado as cidades apartadas hoje no Brasil. Também não foi feita a reforma tributária, que determinou a ausência de progressividade dos impostos sobre renda e patrimônio, nem a reforma social. E hoje, apesar da universalização da educação, temos 40% de analfabetos funcionais”, constata. Por uma agenda de esquerda para o Brasil Márcio Pochman aponta o movimento de duas “placas tectônicas”: uma crise econômica de dimensão global, iniciada em 2008, sem solução a curto prazo, e o esgotamento do ciclo político da Nova República. “Saímos da ditadura sem a participação do povo, sem eleições diretas. Temos uma sociedade governada por velhos, que não lideram os novos, que ainda não assumiram o comando. As velhas elites querem continuar mandando e os novos ainda estão engatinhando. O velho ainda resiste”, analisa. O economista defende a construção de uma nova agenda para o Brasil, que leve em consideração as transformações demográficas do país (aumento da expectativa de vida, redução da taxa de natalidade, as mudanças na família e no papel da mulher na sociedade, etc.) e o trabalho imaterial (a comunicação, a cooperação, o conhecimento, o saber, etc.), de maneira que resulte na alteração da natureza das políticas públicas. “A população demanda uma agenda política de esquerda, na qual o conhecimento é o principal ativo da sociedade. O problema é que as esquerdas não ofertam essa agenda, concluiu.



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