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Martín Granovsky: O esforço do PT em dez pontos

Dilma Rousseff tinha razão quando dizia que seu cenário desejável era vencer nas urnas no segundo turno e que era um erro se ilucom uma vitória no primeiro.

Escrito por: • Publicado em: 09/10/2014 - 00:00 Escrito por: Publicado em: 09/10/2014 - 00:00

Por Martín Granovsky
Dilma Rousseff tinha razão quando dizia que seu cenário desejável era vencer nas urnas no segundo turno e que era um erro se ilucom uma vitória no primeiro. Não apenas tinha razão por conta dos fatos que aconteceram: efetivamente, a coalização formada pelo Partido dos Trabalhadores não chegou aos 50% mais um voto que lhe pouparia de um segundo turno. Tinha razão, sobretudo porque o PT estava obrigado a manter a consciência de que
ainda lhe restava um esforço descomunal até domingo 26. Um esforço que pode ser analizado a partir dos pontos que seguem:
1 - Marina Silva, afinal, não foi para o segundo turno. Após a morte do então candidato à presidência, Eduardo Campos, a ecologista passou de vice à frente da fórmula e cresceu vertiginosamente durante um mês. Foi quando conseguiu se mostrar como alternativa de poder e concentrar as esperanças de que ela seria o aríete para acabar com o ciclo do PT e impea reeleição de Dilma. Carente de estrutura, desprovida de partido próprio e de quadros, tentou sintonizar com o tom da nova política e canalizar o fastídio de muitos eleitores com os 12 anos de governo petista. Por sua vez, flertou com a elite brasileira. Sobretudo através da promessa de independência do Banco Central e do compromisso de compor um comitê de responsabilidade fiscal.
Também se mostrou tão predisposta como Aécio Neves a flexibilizar o Mercosul e a se aproximar mais dos Estados Unidos. Cresceu, além disso, porque, inicialmente, a campanha do PT não a obrigou a esclarecer suas propostas, nem interpretou publicamente o que Marina significaria para os setores populares brasileiros. Decresceu no final da campanha, em boa medida pelos ataques do PT, que degastaram sua aparente inocência, e seguramente pela
falta de solidez que pode ter mostrado diante dos eleitores que queriam com mais fervor se juntar ao PT. Se Marina não era a nova política e ainda por cima se mostrava inconcistente, por que lhe dar uma chance? Ela a perdeu, apesar de ter mantido seus votos de 2010.
2 – Repetiu-se a polarização segundo a qual os dois primeiros partidos somados obtiveram mais de 70% dos votos, fenômeno comum nas últimas eleições. O jogo do PT desde suaprimeira vitória em 2002, que lhe abriu espaço para assumir a presidência em 1° de janeiro de 2003, foi evitar no governo a polarização que a oposição e os grandes meios de comunicação buscavam. O PT não queria perder a fatia centrista de sua base de apoio, polarizando no dia das eleições.
3 – Com quase 42%, Dilma obteve uma porcentagem menor de votos que Lula nos primeiros turnos de 2002 e 2006, e que ela mesma em 2010. Nas três vezes foi com o oposicionista PSDB. No primeiro turno em outubro de 2002, Lula obteve 46,4% diante de 23,2 de José Serra. O terceiro colocado foi o caudilho carioca Anthony Garotinho. No primeiro turno de 2006, foi contra Gerardo Alckmin e a polarização foi brutal, com 48,6 para Lula e 41,6 para o PSDB. O terceiro, a via à esquerda PSOL, ficou longe com 6,9%. Com uma participação de 81,88% dos eleitores, 111 milhões de brasileiros, no primeiro turno de outubro de 2010, Dilma obteve 46,91% dos votos, contra 32,6 de José Serra e 19,3% de Marina. Quer dizer que o PSDB e Marina se mantiveram, enquanto Dilma perdeu uma porcentagem própria. Chega ao segundo turno exigindo mais da própria candidatura.
4 – Começa o espaço de negociação com os terceiros partidos. O PT sempre buscou negociar com os candidatos e com os partidos que não foram eleitos. Em 2002, a negociação foi estrutural e o PT acordou que as forças entrariam no futuro governo. O presidente do Partido Socialista Brasileiro de Eduardo Campos, Gustavo Amaral, amigo de Lula, acaba de dizer que o PSB não gosta de observar a política a partir das margens.
5 – O mais importante será a negociação com a realidade, isto é, a sedução dos que votaram pelos partidos que não foram eleitos. Incluindo, claro, os eleitores de Marina. Tanto em 2002, como em 2006 e 2010, o PT ganhou amplamente no segundo turno. Em 2010, para pegar o último desempenho eleitoral, Dilma chegou a 56%. Serra cresceu até 43,95. Os votos que tinham ido para Marina no primeiro turno claramente se dividiram no segundo. A situação vai repetir o mesmo quadro? Para além de não terem votado no PT, e como a opinião negativa não é o mesmo do que a rejeição pura e dura, que nível de rejeição Dilma e o PT geraram nos eleitores da Marina? Quantos deles querem de fato humilhar o PT?
Os que votaram em meio à onda de reivindicações inidicada em junho de 2012 a favor de um melhor transporte público, uma melhor educação e uma saúde com mais cobertura, darão uma chance a Dilma ou pensarão que poderiam ter satisfação com Aécio? E quantos ficarão em casa, ofendidos porque a suposta velha política não lhe alcança e deixou de fora sua candidata no primeiro turno?
6- O PSDB confirmou sua importância como alternativa real ao PT. Aécio chegou a 33%. E dentro do PSDB, Alckmin se consolidou em São Paulo. Não apenas ganhou no primeiro turno como conseguiu um quarto mandato. Em nível nacional, o PSDB não governa desde que Fernando Henrique Cardoso entregou a banda a Lula, mas esta é uma carta da elite brasileira e da classe média paulista.
6- O PSDB confirmou sua importância como alternativa real ao PT. Aécio chegou a 33%. E dentro do PSDB, Alckmin se consolidou em São Paulo. Não apenas ganhou no primeiro turno como conseguiu um quarto mandato. Em nível nacional, o PSDB não governa desde que Fernando Henrique Cardoso entregou a banda a Lula, mas esta é uma carta da elite brasileira e da classe média paulista.
8 - Lula, uma grande figura. O ex-presidente proclamou Dilma, que foi sua chefe de gabinete, candidata em 2010, fez campanha forte junto dela naquele momento e voltou a fazer durante os últimos meses. Antes, tratou de desmentir até o último momento que teria intenção de ser ele mesmo o candidato no lugar de Dilma. Recentemente, nos últimos dias, ao ser perguntado se será o candidato em 2018, Lula deixou de negar e respondeu: “Isso veremos em 2017”. Pode ter sido uma admissão, mas também pode ter sido uma maneira de formalizar ainda mais eu papel junto de Dilma.
Boa parte das 40 milhões de pessoas que se incorporaram ao mercado e à sociedade desde 2003, às vezes com geladeira e televisão, sempre graças à combinação de emprego e programas sociais, reconhece ter saído da pobreza por impulso de Lula. Um debate que dura pelo menos quatro anos anima o PT: como fazer para que esses lulistas acompanhem o partido e seus candidatos, e para que uma parte deles milite no PT ou em organizações sociais afins? Como trabalhar politicamente para que os que saíram da miséria sob o governo do PT não acabem se voltando contra ele? O desafio continua vigente. Sem dúvidas, Lula confirmará nas próximas três semanas que é a voz mais sólida da política brasileira, e o fará em apoio a Dilma. Ao PT fica a tarefa impostergável de traduzir conquistas sociais adquiridas na política, ou seja, em votos para o PT. É sensato polemizar sobre se os 40 milhões integram de verdade a classe média ou apenas uma parte deles. Entretanto, o resto das forças dizia, no melhor dos casos, que integrar tantas pessoas seria impossível, quando não indesejável.
9 – Doze anos de PT. Apesar do desgaste de permanecer 12 anos em exposição pública, em meio à crise internacional e frequentemente xequeado por sua própria falta de dinamismo político, o PT demonstrou sua enorme solidez como alternativa de governo e como eixo de uma aliança que vai desde caciques estaduais do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), do vice Michel Temer a partidos de centro e de esquerda.
10 – Se o resultado se repetir no dia 26, a América do Sul pode manter sua tendência reformista. O Brasil é o gigante de uma série de experimentos distintos, porém próximos: os da Argentina, Uruguai (eleições no dia 26), Bolívia (eleições no próximo domingo, 12), Equador e Venezuela. Todas as forças que governam nesses países afirmaram apostar em uma vitória petista.
Tradução: Daniella Cambaúv
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-esforco-do-PT-em-dez-pontos/4/31936

Título: Martín Granovsky: O esforço do PT em dez pontos, Conteúdo: Por Martín Granovsky Dilma Rousseff tinha razão quando dizia que seu cenário desejável era vencer nas urnas no segundo turno e que era um erro se ilucom uma vitória no primeiro. Não apenas tinha razão por conta dos fatos que aconteceram: efetivamente, a coalização formada pelo Partido dos Trabalhadores não chegou aos 50% mais um voto que lhe pouparia de um segundo turno. Tinha razão, sobretudo porque o PT estava obrigado a manter a consciência de que ainda lhe restava um esforço descomunal até domingo 26. Um esforço que pode ser analizado a partir dos pontos que seguem: 1 - Marina Silva, afinal, não foi para o segundo turno. Após a morte do então candidato à presidência, Eduardo Campos, a ecologista passou de vice à frente da fórmula e cresceu vertiginosamente durante um mês. Foi quando conseguiu se mostrar como alternativa de poder e concentrar as esperanças de que ela seria o aríete para acabar com o ciclo do PT e impea reeleição de Dilma. Carente de estrutura, desprovida de partido próprio e de quadros, tentou sintonizar com o tom da nova política e canalizar o fastídio de muitos eleitores com os 12 anos de governo petista. Por sua vez, flertou com a elite brasileira. Sobretudo através da promessa de independência do Banco Central e do compromisso de compor um comitê de responsabilidade fiscal. Também se mostrou tão predisposta como Aécio Neves a flexibilizar o Mercosul e a se aproximar mais dos Estados Unidos. Cresceu, além disso, porque, inicialmente, a campanha do PT não a obrigou a esclarecer suas propostas, nem interpretou publicamente o que Marina significaria para os setores populares brasileiros. Decresceu no final da campanha, em boa medida pelos ataques do PT, que degastaram sua aparente inocência, e seguramente pela falta de solidez que pode ter mostrado diante dos eleitores que queriam com mais fervor se juntar ao PT. Se Marina não era a nova política e ainda por cima se mostrava inconcistente, por que lhe dar uma chance? Ela a perdeu, apesar de ter mantido seus votos de 2010. 2 – Repetiu-se a polarização segundo a qual os dois primeiros partidos somados obtiveram mais de 70% dos votos, fenômeno comum nas últimas eleições. O jogo do PT desde suaprimeira vitória em 2002, que lhe abriu espaço para assumir a presidência em 1° de janeiro de 2003, foi evitar no governo a polarização que a oposição e os grandes meios de comunicação buscavam. O PT não queria perder a fatia centrista de sua base de apoio, polarizando no dia das eleições. 3 – Com quase 42%, Dilma obteve uma porcentagem menor de votos que Lula nos primeiros turnos de 2002 e 2006, e que ela mesma em 2010. Nas três vezes foi com o oposicionista PSDB. No primeiro turno em outubro de 2002, Lula obteve 46,4% diante de 23,2 de José Serra. O terceiro colocado foi o caudilho carioca Anthony Garotinho. No primeiro turno de 2006, foi contra Gerardo Alckmin e a polarização foi brutal, com 48,6 para Lula e 41,6 para o PSDB. O terceiro, a via à esquerda PSOL, ficou longe com 6,9%. Com uma participação de 81,88% dos eleitores, 111 milhões de brasileiros, no primeiro turno de outubro de 2010, Dilma obteve 46,91% dos votos, contra 32,6 de José Serra e 19,3% de Marina. Quer dizer que o PSDB e Marina se mantiveram, enquanto Dilma perdeu uma porcentagem própria. Chega ao segundo turno exigindo mais da própria candidatura. 4 – Começa o espaço de negociação com os terceiros partidos. O PT sempre buscou negociar com os candidatos e com os partidos que não foram eleitos. Em 2002, a negociação foi estrutural e o PT acordou que as forças entrariam no futuro governo. O presidente do Partido Socialista Brasileiro de Eduardo Campos, Gustavo Amaral, amigo de Lula, acaba de dizer que o PSB não gosta de observar a política a partir das margens. 5 – O mais importante será a negociação com a realidade, isto é, a sedução dos que votaram pelos partidos que não foram eleitos. Incluindo, claro, os eleitores de Marina. Tanto em 2002, como em 2006 e 2010, o PT ganhou amplamente no segundo turno. Em 2010, para pegar o último desempenho eleitoral, Dilma chegou a 56%. Serra cresceu até 43,95. Os votos que tinham ido para Marina no primeiro turno claramente se dividiram no segundo. A situação vai repetir o mesmo quadro? Para além de não terem votado no PT, e como a opinião negativa não é o mesmo do que a rejeição pura e dura, que nível de rejeição Dilma e o PT geraram nos eleitores da Marina? Quantos deles querem de fato humilhar o PT? Os que votaram em meio à onda de reivindicações inidicada em junho de 2012 a favor de um melhor transporte público, uma melhor educação e uma saúde com mais cobertura, darão uma chance a Dilma ou pensarão que poderiam ter satisfação com Aécio? E quantos ficarão em casa, ofendidos porque a suposta velha política não lhe alcança e deixou de fora sua candidata no primeiro turno? 6- O PSDB confirmou sua importância como alternativa real ao PT. Aécio chegou a 33%. E dentro do PSDB, Alckmin se consolidou em São Paulo. Não apenas ganhou no primeiro turno como conseguiu um quarto mandato. Em nível nacional, o PSDB não governa desde que Fernando Henrique Cardoso entregou a banda a Lula, mas esta é uma carta da elite brasileira e da classe média paulista. 6- O PSDB confirmou sua importância como alternativa real ao PT. Aécio chegou a 33%. E dentro do PSDB, Alckmin se consolidou em São Paulo. Não apenas ganhou no primeiro turno como conseguiu um quarto mandato. Em nível nacional, o PSDB não governa desde que Fernando Henrique Cardoso entregou a banda a Lula, mas esta é uma carta da elite brasileira e da classe média paulista. 8 - Lula, uma grande figura. O ex-presidente proclamou Dilma, que foi sua chefe de gabinete, candidata em 2010, fez campanha forte junto dela naquele momento e voltou a fazer durante os últimos meses. Antes, tratou de desmentir até o último momento que teria intenção de ser ele mesmo o candidato no lugar de Dilma. Recentemente, nos últimos dias, ao ser perguntado se será o candidato em 2018, Lula deixou de negar e respondeu: “Isso veremos em 2017”. Pode ter sido uma admissão, mas também pode ter sido uma maneira de formalizar ainda mais eu papel junto de Dilma. Boa parte das 40 milhões de pessoas que se incorporaram ao mercado e à sociedade desde 2003, às vezes com geladeira e televisão, sempre graças à combinação de emprego e programas sociais, reconhece ter saído da pobreza por impulso de Lula. Um debate que dura pelo menos quatro anos anima o PT: como fazer para que esses lulistas acompanhem o partido e seus candidatos, e para que uma parte deles milite no PT ou em organizações sociais afins? Como trabalhar politicamente para que os que saíram da miséria sob o governo do PT não acabem se voltando contra ele? O desafio continua vigente. Sem dúvidas, Lula confirmará nas próximas três semanas que é a voz mais sólida da política brasileira, e o fará em apoio a Dilma. Ao PT fica a tarefa impostergável de traduzir conquistas sociais adquiridas na política, ou seja, em votos para o PT. É sensato polemizar sobre se os 40 milhões integram de verdade a classe média ou apenas uma parte deles. Entretanto, o resto das forças dizia, no melhor dos casos, que integrar tantas pessoas seria impossível, quando não indesejável. 9 – Doze anos de PT. Apesar do desgaste de permanecer 12 anos em exposição pública, em meio à crise internacional e frequentemente xequeado por sua própria falta de dinamismo político, o PT demonstrou sua enorme solidez como alternativa de governo e como eixo de uma aliança que vai desde caciques estaduais do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), do vice Michel Temer a partidos de centro e de esquerda. 10 – Se o resultado se repetir no dia 26, a América do Sul pode manter sua tendência reformista. O Brasil é o gigante de uma série de experimentos distintos, porém próximos: os da Argentina, Uruguai (eleições no dia 26), Bolívia (eleições no próximo domingo, 12), Equador e Venezuela. Todas as forças que governam nesses países afirmaram apostar em uma vitória petista. Tradução: Daniella Cambaúv Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-esforco-do-PT-em-dez-pontos/4/31936



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