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Luta pela igualdade começa em casa

Secretária da Mulher da CUT faz balanço das conquistas e também das lutas que as mulheres ainda têm de travar em todos os espaços para garantir direitos iguais aos dos homens

Escrito por: • Publicado em: 10/03/2014 - 00:00 Escrito por: Publicado em: 10/03/2014 - 00:00

Em 2013, a secretária nacional de Mulheres da CUT, Rosane Silva, enfrentou um adoecimento que levou à família o debate sobre a divisão de tarefas no lar. Diante da necessidade de cuidados por parte da mãe, a discussão sobre igualdade, que as trabalhadoras promovem dentro da Central, foi posta em prática no papel dos irmãos da dirigente, que também assumiram responsabilidades.
Para a dirigente, essa experiência fortaleceu a ideia de que o primeiro passo contra a opressão é dado em casa, ao mostrar ao companheiro que a divisão das tarefas domésticas, além de justa, permite que ambos tenham mais tempo para o casal e para os filhos.
Nem sempre, porém, o diálogo é capaz de mudar a rotina da casa e das múltiplas jornadas que a mulher exerce, seja como mãe, esposa, trabalhadora e, em 19,4% dos lares, chefe de família, conforme revelam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2012.
Nos casos em que impera a resistência, acredita a dirigente, o caminho é construir uma rede de solidariedade por meio da participação em movimentos políticos para construir mudanças.
“Temos movimentos de mulheres espalhados pelo Brasil todo, assim como sindicatos e o movimento estudantil. A saída é participar de grupos que discutam esse tema a partir de uma ótica de libertação, de igualdade de gênero”, explica Rosane.
Luta – Neste 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher, os movimentos sociais sairão às ruas por liberdade, igualdade e autonomia, uma pauta que dialoga com problemas cotidianos enfrentados quase por todas, inclusive aquelas sem qualquer ligação com o feminismo.
“Vivemos em um mundo em que, apesar de temos mais escolaridade que os homens, recebemos 70% a menos para fazer a mesma função. Não temos o direito de decilivremente sobre nossas vidas e sobre nossos corpos. Desde 1991, a CUT luta pela legalização e descriminalização do aborto no Brasil e continuará lutando. Assim como seguiremos na defesa da participação paritária nos espaços públicos”
Para a secretária da Mulher da CUT, “o Estado brasileiro deve ser responsável por garantir políticas públicas que assegurem às mulheres a plena autonomia”, defende.
Rosane destaca, assim, que o Programa Brasil Carinhoso, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em 2012, é uma dessas iniciativas e um avanço porrepassar recursos à construção de seis mil creches ao longo de 2014. A medida, porém, esbarra na ação de prefeitos, avalia Rosane.
“Há um conjunto de políticas públicas que se acelerou neste governo porque uma mulher sabe o quanto isso é importante para nossa independência. Mas claro que existe, ao mesmo tempo, uma resistência de parte das prefeituras com essa política, porque depois de construídas, as administrações precisam investir em creches para mantê-las. E muitos gestores não têm isso como prioridade”, critica.
Para todas – Um dos objetivos das diversas manifestações que tomarão as ruas do país neste 8 de março é dialogar com mulheres que estão fora dos movimentos sociais para fazer com a luta crie galhos.
Para Rosane, as marchas e mobilizações cumprem o papel de levar o debate até as casas e ao trabalho. Fazem o chamado trabalho de base, de reunir mulheres onde elas estejam para acender a fagulha do questionamento e mostrar a opressão com a qual convivem e muitas vezes não percebem.
“Quando cheguei na CUT, tive de ralar e mostrar que tinha capacidade”
“Até a Lei Maria da Penha, muitas pessoas achavam que era natural o homem violentar ou bater na mulher, porque, ao casar, ela passava a ser posse dele. Eram situações naturalizadas. A partir dessa lei, começamos a mostrar para a sociedade brasileira que era possível viver diferente. A lei ajudou a fazer esse diálogo com as mulheres e mostrou que é possível um Estado brasileiro que dê proteção para ela, se quiser romper com essa situação.”
Reforma política – Em 2013, como resposta aos protestos de junho, a presidenta Dilma apresentou uma proposta de consulta à população para promover a reforma política. Diante da resistência dos parlamentares, a CUT e parceiros dos movimentos sociais passaram a defender a realização de um Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana. Com a mudança, o povo brasileiro poderá votar em representantes que discutiriam exclusivamente um novo modelo de representação.
O Brasil possui apenas 9% de mulheres eleitas na Câmara dos Deputados e 12% no Senado e, apesar de ser um recorde positivo, apenas 13% do total de vagas nas prefeituras e Câmara Municipais foram ocupadas por elas nas eleições de 2012.
“Apesar de termos uma mulher no cargo máximo da política em nosso país, ela não decide tudo, temos um Parlamento no qual nossa presença é insignificante. Precisamos mudar esse modelo que não contempla jovens, negros, pessoas com deficiência. Temos de ter a lista fechada dos partidos com alternância de gênero para as eleições e o financiamento público de campanha para acabar com a influência do poder econômico na disputa eleitoral”, defendeu.
Após o lançamento da campanha em defesa do plebiscito em Brasília, em novembro do ano passado, a CUT e as demais entidades promoveram cursos de formação de formadores. O momento agora é de lançamento dos comitês estaduais e, a partir de maio, da realização do curso dos mil, em São Paulo, com o objetivo de reunir mil formadores para fazer um balanço da luta e multiplicar o debate nos estados.
Conselhos – Rosane também aponta a baixa participação das mulheres em conselhos de controle social, responsáveis por discutir importantes políticas públicas para o país.
“Somos fortes no conselho de mulheres, de saúde, da educação e em outros que refletem o que a sociedade pensa, quais deveriam ser nossas tarefas de mulheres, exercer o papel de cuidadoras.”
Rosane comenta as dificuldades que viveu para defender seus pontos de vista e aponta que não há outro caminho senão a persistência.
“Uso o exemplo do que eu vivi, tem de chegar no espaço e impor a opinião. Mesmo que nas primeiras vezes que você fale metade da sala esteja conversando e a outra do lado de fora. Tem de ser a chata que diz “escutei todos, quero que me escutem”. Não pode levar piadinhas na brincadeira, precisa dizer que não gostou, que é discriminatório. Foi processo duro até reconhecerem minha liderança. Para as pessoas, o espaço público é mais natural para os homens, até porque, quando vem para cá, tem alguém para manter o cotidiano de seus lares”, ensina.
Dilma – Com lágrimas nos olhos, Rosane comenta que enxerga na avaliação da presidenta Dilma um olhar discriminatório que afirma existir em relação a todas as mulheres que alcançam o poder.
“Primeiro, só o fato de uma mulher se dispor a estar naquele lugar já é um avanço fantástico. Maior ainda quando essa mulheres mostra ter capacidade de gerir o recurso do Estado, garantir o respeito internacional, enfrentar, como ela enfrentou no início do governo, o sistema financeiro”
“As mulheres devem levar a luta para além da pauta específica”
Não podemos, prossegue a dirigente, esquecer a PEC das Domésticas. “Quando esse governo peitou o setor empresarial e o setor conservador do Congresso. E acho que se for reeleita, a Dilma avançará em grandes temas e reformas estruturantes”, avalia.
Apesar de avanços como a paridade nos partidos políticos e na CUT, a Lei Maria da Penha, a ampliação da licença-maternidade e avanços na área de saúde, as mulheres em marcha neste sábado devem levar a luta para além da pauta específica para vencer um inimigo maior.
“Tivemos muito avanços, mas o sistema continua o mesmo e só teremos um país com igualdade, liberdade e autonomia quando esse modelo. No sistema capitalista nunca haverá igualdade, porque esse sistema se utiliza dessas discriminações para se perpetuar e acumular riquezas.”
Fonte: CUT Nacional

Título: Luta pela igualdade começa em casa, Conteúdo: Em 2013, a secretária nacional de Mulheres da CUT, Rosane Silva, enfrentou um adoecimento que levou à família o debate sobre a divisão de tarefas no lar. Diante da necessidade de cuidados por parte da mãe, a discussão sobre igualdade, que as trabalhadoras promovem dentro da Central, foi posta em prática no papel dos irmãos da dirigente, que também assumiram responsabilidades. Para a dirigente, essa experiência fortaleceu a ideia de que o primeiro passo contra a opressão é dado em casa, ao mostrar ao companheiro que a divisão das tarefas domésticas, além de justa, permite que ambos tenham mais tempo para o casal e para os filhos. Nem sempre, porém, o diálogo é capaz de mudar a rotina da casa e das múltiplas jornadas que a mulher exerce, seja como mãe, esposa, trabalhadora e, em 19,4% dos lares, chefe de família, conforme revelam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2012. Nos casos em que impera a resistência, acredita a dirigente, o caminho é construir uma rede de solidariedade por meio da participação em movimentos políticos para construir mudanças. “Temos movimentos de mulheres espalhados pelo Brasil todo, assim como sindicatos e o movimento estudantil. A saída é participar de grupos que discutam esse tema a partir de uma ótica de libertação, de igualdade de gênero”, explica Rosane. Luta – Neste 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher, os movimentos sociais sairão às ruas por liberdade, igualdade e autonomia, uma pauta que dialoga com problemas cotidianos enfrentados quase por todas, inclusive aquelas sem qualquer ligação com o feminismo. “Vivemos em um mundo em que, apesar de temos mais escolaridade que os homens, recebemos 70% a menos para fazer a mesma função. Não temos o direito de decilivremente sobre nossas vidas e sobre nossos corpos. Desde 1991, a CUT luta pela legalização e descriminalização do aborto no Brasil e continuará lutando. Assim como seguiremos na defesa da participação paritária nos espaços públicos” Para a secretária da Mulher da CUT, “o Estado brasileiro deve ser responsável por garantir políticas públicas que assegurem às mulheres a plena autonomia”, defende. Rosane destaca, assim, que o Programa Brasil Carinhoso, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em 2012, é uma dessas iniciativas e um avanço porrepassar recursos à construção de seis mil creches ao longo de 2014. A medida, porém, esbarra na ação de prefeitos, avalia Rosane. “Há um conjunto de políticas públicas que se acelerou neste governo porque uma mulher sabe o quanto isso é importante para nossa independência. Mas claro que existe, ao mesmo tempo, uma resistência de parte das prefeituras com essa política, porque depois de construídas, as administrações precisam investir em creches para mantê-las. E muitos gestores não têm isso como prioridade”, critica. Para todas – Um dos objetivos das diversas manifestações que tomarão as ruas do país neste 8 de março é dialogar com mulheres que estão fora dos movimentos sociais para fazer com a luta crie galhos. Para Rosane, as marchas e mobilizações cumprem o papel de levar o debate até as casas e ao trabalho. Fazem o chamado trabalho de base, de reunir mulheres onde elas estejam para acender a fagulha do questionamento e mostrar a opressão com a qual convivem e muitas vezes não percebem. “Quando cheguei na CUT, tive de ralar e mostrar que tinha capacidade” “Até a Lei Maria da Penha, muitas pessoas achavam que era natural o homem violentar ou bater na mulher, porque, ao casar, ela passava a ser posse dele. Eram situações naturalizadas. A partir dessa lei, começamos a mostrar para a sociedade brasileira que era possível viver diferente. A lei ajudou a fazer esse diálogo com as mulheres e mostrou que é possível um Estado brasileiro que dê proteção para ela, se quiser romper com essa situação.” Reforma política – Em 2013, como resposta aos protestos de junho, a presidenta Dilma apresentou uma proposta de consulta à população para promover a reforma política. Diante da resistência dos parlamentares, a CUT e parceiros dos movimentos sociais passaram a defender a realização de um Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana. Com a mudança, o povo brasileiro poderá votar em representantes que discutiriam exclusivamente um novo modelo de representação. O Brasil possui apenas 9% de mulheres eleitas na Câmara dos Deputados e 12% no Senado e, apesar de ser um recorde positivo, apenas 13% do total de vagas nas prefeituras e Câmara Municipais foram ocupadas por elas nas eleições de 2012. “Apesar de termos uma mulher no cargo máximo da política em nosso país, ela não decide tudo, temos um Parlamento no qual nossa presença é insignificante. Precisamos mudar esse modelo que não contempla jovens, negros, pessoas com deficiência. Temos de ter a lista fechada dos partidos com alternância de gênero para as eleições e o financiamento público de campanha para acabar com a influência do poder econômico na disputa eleitoral”, defendeu. Após o lançamento da campanha em defesa do plebiscito em Brasília, em novembro do ano passado, a CUT e as demais entidades promoveram cursos de formação de formadores. O momento agora é de lançamento dos comitês estaduais e, a partir de maio, da realização do curso dos mil, em São Paulo, com o objetivo de reunir mil formadores para fazer um balanço da luta e multiplicar o debate nos estados. Conselhos – Rosane também aponta a baixa participação das mulheres em conselhos de controle social, responsáveis por discutir importantes políticas públicas para o país. “Somos fortes no conselho de mulheres, de saúde, da educação e em outros que refletem o que a sociedade pensa, quais deveriam ser nossas tarefas de mulheres, exercer o papel de cuidadoras.” Rosane comenta as dificuldades que viveu para defender seus pontos de vista e aponta que não há outro caminho senão a persistência. “Uso o exemplo do que eu vivi, tem de chegar no espaço e impor a opinião. Mesmo que nas primeiras vezes que você fale metade da sala esteja conversando e a outra do lado de fora. Tem de ser a chata que diz “escutei todos, quero que me escutem”. Não pode levar piadinhas na brincadeira, precisa dizer que não gostou, que é discriminatório. Foi processo duro até reconhecerem minha liderança. Para as pessoas, o espaço público é mais natural para os homens, até porque, quando vem para cá, tem alguém para manter o cotidiano de seus lares”, ensina. Dilma – Com lágrimas nos olhos, Rosane comenta que enxerga na avaliação da presidenta Dilma um olhar discriminatório que afirma existir em relação a todas as mulheres que alcançam o poder. “Primeiro, só o fato de uma mulher se dispor a estar naquele lugar já é um avanço fantástico. Maior ainda quando essa mulheres mostra ter capacidade de gerir o recurso do Estado, garantir o respeito internacional, enfrentar, como ela enfrentou no início do governo, o sistema financeiro” “As mulheres devem levar a luta para além da pauta específica” Não podemos, prossegue a dirigente, esquecer a PEC das Domésticas. “Quando esse governo peitou o setor empresarial e o setor conservador do Congresso. E acho que se for reeleita, a Dilma avançará em grandes temas e reformas estruturantes”, avalia. Apesar de avanços como a paridade nos partidos políticos e na CUT, a Lei Maria da Penha, a ampliação da licença-maternidade e avanços na área de saúde, as mulheres em marcha neste sábado devem levar a luta para além da pauta específica para vencer um inimigo maior. “Tivemos muito avanços, mas o sistema continua o mesmo e só teremos um país com igualdade, liberdade e autonomia quando esse modelo. No sistema capitalista nunca haverá igualdade, porque esse sistema se utiliza dessas discriminações para se perpetuar e acumular riquezas.” Fonte: CUT Nacional



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