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Democratização da comunicação e fim do racismo demandam ataque a privilégios

Com participação de parlamentar do Syriza, Fórum Social Mundial destaca que igualdade demanda rupturas em setores poderosos da sociedade

Escrito por: • Publicado em: 27/03/2015 - 00:00 Escrito por: Publicado em: 27/03/2015 - 00:00

A Casa Brasil, espaço que a CUT e parceiros dos movimentos mantêm no Fórum Social Mundial em Túnis, na Tunísia, recebeu dois encontros que trataram de inclusão: pela manhã, um debate do 4º Fórum Mundial de Mídias Livres e, à tarde, uma mesa sobre combate ao racismo.
Na primeira etapa, Stelios Kologlou, jornalista e membro do parlamento europeu pelo Syriza, partido vencedor das últimas eleições presidenciais na Grécia, falou da relação entre os meios de comunicação locais e o poder.
O cenário remete a muitos países sul americanos, inclusive o Brasil. Aqui como no em nosso País, as oligarquias de controle da mídia, com apoio e participação de políticos corruptos da direita, atuaram para acabar com rádios e TV públicas. O processo resultou na demissão de 2.500 trabalhadores.
Na outra ponta, martelavam a tecla de que a vitória do Syriza levaria o país à bancarrota. O país grego, ainda que contando apenas com o apoio das redes sociais, venceu por 35% a mais o pleito. E aí era hora de pressionar para que as promessas não fossem cumpridas.
“Começaram a pressionar porque diziam que não respeitávamos contratos com a comunidade européia. Contratos que levaram o país à catástrofe. E queriam que abandonássemos as promessas que fizemos, mas nosso primeiro ministro assumiu compromisso, pela primeira vez na história, de cumprir o que foi dito na campanha. Depois disso a mídia passou a travar uma guerra contra nós”, comentou.
O tom pode subir ainda mais, já que o Syriza enviou ao parlamento uma lei que reabre as rádios e TVs públicas.
Armas de democratização
Perante o cenário em que os grandes conglomerados controlam a porta de entrada e saída da informação, inclusive na internet, as emissoras de rádio e TV públicas devem atuar para cumprir o papel de fazer da comunicação um bem público.
Conforme ressaltou o presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), Nelson Breve, a falta de regulação deixa o controle nas mãos do poder privado.
Representante do Conselho Curador da EBC, Eliane Gonçalves destaca que um dos campos em que não houve avanço na democracia brasileira foi o acesso à produção e reprodução da informação, que estão sob controle de seis famílias, responsáveis por gerir o negócio da comunicação segundo interesses particulares.A Empresa Brasileira de Comunicação poderia romper com essa lógica, mas também enfrenta o desafio da regulação. “Ainda não está claro o que é público e o que é estatal. Desde 2007, a EBC está apartada dos movimentos sociais e isso faz com que seja muito mais governamental do que pública. Precisamos que sociedade cobre e a faça avançar, porque se não houver vigilância, não exercerá sua função”, defendeu.
Compartilhar o poder
A mesa da tarde, que tratou de racismo, apontou para a necessidade de combater os privilégios que resultam da discriminação.
Para o coordenador-geral da Unegro (União de Negros pela Igualdade), Edson França, não há como resolver a opressão de uma raça sobre outra sem compartilhar espaços de poder em sociedade multiculturais como a brasileira.

Ele destaca que para fazer o processo avançar é preciso o reconhecimento da existência de racismo pela sociedade, a organização dessa mesma sociedade, agora consciente, para a luta e uma legislação que garanta direitos iguais.

“Precisamos combater os privilégios material e político com ações de reparação”, pontuou.

O estadunidense James Early, do Centro de Estudos sobre História e Herança Popular do Instituto Smithsonian, acredita que os movimentos devem atuar em rede, como fazem os estados, apesar das diferenças políticas.

“Nós somos as pessoas que estamos esperando”, definiu.

Em alguns lugares, como a própria Tunísia, a unidade dos movimentos em defesa da igualdade é ainda mais importante, pelo fato de não existir estatísticas e dados sobre discriminação, confome destacou a representa do movimento negro local Maha Abdelhamid.

“Luta contra o racismo não é somente para negros mas para povo de todo o mundo. Isso implica a união de todas as raças” disse.


Fim dos privilégios

As mudanças, porém, resultam em fraturas que causam traumas. Do Criola Brasil, Jurema Werneck explica que o racismo são vários racismos, já que não é vivido da mesma maneira por heterossexuais e homossexuais, homens e mulheres, jovens ou velhos.

“É preciso trazer todas essas singularidades para o debate, é preciso dar voz a quem não tem voz. É preciso que essas pessoas sejam as principais enunciadoras de suas soluções. É preciso que a gente coletivamente abdique de privilégios, levante e dê lugar para quem precisa estar”, defendeu.

O discurso contra os privilégios também esteve presente na fala do representante da Fundação Frantz Fanon, da França, Mirelle Fanon-Mendes.

Ele lembrou que, se a exploração não se dá mais por intermédio da escravidão, modelo abandonado porque se tornou caro, e não porque os brancos reconheceram a igualdade de raças, chega em forma de trabalhadores suscetíveis à exploração.

“Não falamos em excluir brancos, mas em dar um passo atrás nos privilégios e assumir o que defendem, a igualdade”, ressaltou.

Título: Democratização da comunicação e fim do racismo demandam ataque a privilégios, Conteúdo: A Casa Brasil, espaço que a CUT e parceiros dos movimentos mantêm no Fórum Social Mundial em Túnis, na Tunísia, recebeu dois encontros que trataram de inclusão: pela manhã, um debate do 4º Fórum Mundial de Mídias Livres e, à tarde, uma mesa sobre combate ao racismo. Na primeira etapa, Stelios Kologlou, jornalista e membro do parlamento europeu pelo Syriza, partido vencedor das últimas eleições presidenciais na Grécia, falou da relação entre os meios de comunicação locais e o poder. O cenário remete a muitos países sul americanos, inclusive o Brasil. Aqui como no em nosso País, as oligarquias de controle da mídia, com apoio e participação de políticos corruptos da direita, atuaram para acabar com rádios e TV públicas. O processo resultou na demissão de 2.500 trabalhadores. Na outra ponta, martelavam a tecla de que a vitória do Syriza levaria o país à bancarrota. O país grego, ainda que contando apenas com o apoio das redes sociais, venceu por 35% a mais o pleito. E aí era hora de pressionar para que as promessas não fossem cumpridas. “Começaram a pressionar porque diziam que não respeitávamos contratos com a comunidade européia. Contratos que levaram o país à catástrofe. E queriam que abandonássemos as promessas que fizemos, mas nosso primeiro ministro assumiu compromisso, pela primeira vez na história, de cumprir o que foi dito na campanha. Depois disso a mídia passou a travar uma guerra contra nós”, comentou. O tom pode subir ainda mais, já que o Syriza enviou ao parlamento uma lei que reabre as rádios e TVs públicas. Armas de democratização Perante o cenário em que os grandes conglomerados controlam a porta de entrada e saída da informação, inclusive na internet, as emissoras de rádio e TV públicas devem atuar para cumprir o papel de fazer da comunicação um bem público. Conforme ressaltou o presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), Nelson Breve, a falta de regulação deixa o controle nas mãos do poder privado. Representante do Conselho Curador da EBC, Eliane Gonçalves destaca que um dos campos em que não houve avanço na democracia brasileira foi o acesso à produção e reprodução da informação, que estão sob controle de seis famílias, responsáveis por gerir o negócio da comunicação segundo interesses particulares.A Empresa Brasileira de Comunicação poderia romper com essa lógica, mas também enfrenta o desafio da regulação. “Ainda não está claro o que é público e o que é estatal. Desde 2007, a EBC está apartada dos movimentos sociais e isso faz com que seja muito mais governamental do que pública. Precisamos que sociedade cobre e a faça avançar, porque se não houver vigilância, não exercerá sua função”, defendeu. Compartilhar o poder A mesa da tarde, que tratou de racismo, apontou para a necessidade de combater os privilégios que resultam da discriminação. Para o coordenador-geral da Unegro (União de Negros pela Igualdade), Edson França, não há como resolver a opressão de uma raça sobre outra sem compartilhar espaços de poder em sociedade multiculturais como a brasileira. Ele destaca que para fazer o processo avançar é preciso o reconhecimento da existência de racismo pela sociedade, a organização dessa mesma sociedade, agora consciente, para a luta e uma legislação que garanta direitos iguais. “Precisamos combater os privilégios material e político com ações de reparação”, pontuou. O estadunidense James Early, do Centro de Estudos sobre História e Herança Popular do Instituto Smithsonian, acredita que os movimentos devem atuar em rede, como fazem os estados, apesar das diferenças políticas. “Nós somos as pessoas que estamos esperando”, definiu. Em alguns lugares, como a própria Tunísia, a unidade dos movimentos em defesa da igualdade é ainda mais importante, pelo fato de não existir estatísticas e dados sobre discriminação, confome destacou a representa do movimento negro local Maha Abdelhamid. “Luta contra o racismo não é somente para negros mas para povo de todo o mundo. Isso implica a união de todas as raças” disse. Fim dos privilégios As mudanças, porém, resultam em fraturas que causam traumas. Do Criola Brasil, Jurema Werneck explica que o racismo são vários racismos, já que não é vivido da mesma maneira por heterossexuais e homossexuais, homens e mulheres, jovens ou velhos. “É preciso trazer todas essas singularidades para o debate, é preciso dar voz a quem não tem voz. É preciso que essas pessoas sejam as principais enunciadoras de suas soluções. É preciso que a gente coletivamente abdique de privilégios, levante e dê lugar para quem precisa estar”, defendeu. O discurso contra os privilégios também esteve presente na fala do representante da Fundação Frantz Fanon, da França, Mirelle Fanon-Mendes. Ele lembrou que, se a exploração não se dá mais por intermédio da escravidão, modelo abandonado porque se tornou caro, e não porque os brancos reconheceram a igualdade de raças, chega em forma de trabalhadores suscetíveis à exploração. “Não falamos em excluir brancos, mas em dar um passo atrás nos privilégios e assumir o que defendem, a igualdade”, ressaltou.



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