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Curitiba, PR - Uma luta em primeiro plano

O Jornal do Sismuc deste mês entrevistou Angela Elizabeth Sarneski, professora de português estadual e militante do movimento negro do Paraná e dos movimentos sociais.

Escrito por: • Publicado em: 21/11/2014 - 00:00 Escrito por: Publicado em: 21/11/2014 - 00:00

O debate integra o mês da consciência negra. Nesta entrevista, Angela abordou a importância das políticas reparatórias, preconceito racial, política, integração social e cultura. A professora ainda alfinetou o fim da abolição. Confira:
Jornal do Sismuc: Por que os negros precisam de cotas? Eles não podem vencer pelo seu próprio mérito?
Angela Elizabeth Sarneski:Nós vencemos pelo nosso próprio mérito. As cotas surgiram para corrigir desigualdades geradas com o movimento escravocrata. Logo, essa ideia de que as cotas raciais, sociais e indígenas tiram vagas é equivocada. Até porque o aluno negro e o da escola pública concorrem na primeira etapa igual a todo mundo (no caso da UFPR). O que a cota faz é criar a oportunidade de nós frequentarmos a universidade pública.
Jornal do Sismuc: Os pobres brancos não têm cota. Eles não são duplamente punidos?
AES:Eles têm. Essa é uma informação que as pessoas desconhecem. Por isso elas se tornam contra. É necessário, portanto, ampliar esse debate nas escolas. Uma vez, um aluno me disse ser contra a política de cotas. Eu lhe perguntei se ele era contra a cota social. Ele negou. Eu vejo, portanto, isso mais como preconceito do que ser contra, pois essas cotas retiram uma percentagem mínima das vagas que eram preenchidas apenas pela elite antigamente.
Jornal do Sismuc: O Brasil já elegeu um metalúrgico e uma mulher que lutou contra a Ditadura. O que precisa para um negro chegar ao ápice?
AES:Eu acho que o papel das cotas, no futuro, é justamente criar essas oportunidades. Antigamente não se via a universidade e seus espaços acadêmicos com negros estudando. Hoje, com 10 anos, formamos médicos, advogados, etc. Tem crescida a participação do negro e do branco que veio da escola pública. Por outro lado, há um poder econômico, elitizado, que busca impenossa ascensão. Veja o caso Obama (presidente dos EUA). Ele tem sofrido bastante com uma elite que tenta impeque o país cresça de forma igual. Contudo, mais do que o poder, o que buscamos é uma vida melhor para todos.
Jornal do Sismuc: Mais uma vez a justiça proibiu o feriado da consciência negra. Por que isso acontece?
AES:Considero uma questão política. A desculpa de que o feriado diminui o comércio não cola. O que se tenta é evitar que o Paraná tenha esse marco que é o 20 de novembro enquanto feriado. Nesta data, com o feriado, estaríamos nas ruas maciçamente comemorando e discutindo as pautas do movimento negro.
Jornal do Sismuc: O Brasil e os brasileiros celebram heróis e atos negros? Por que isso acontece. Por que Zumbi não é herói nacional como Tiradentes?
AES: Acho que é resultado do preconceito por ele ser negro. Para muita gente, nós temos que ficar em segundo plano. O negro não aparece em livros didáticos como heróis. Nos registros, eles são escravos, humilhados. Por isso, precisamos rever tudo isso.
Jornal do Sismuc: Por que é importante os sindicatos e movimentos sociais discutirem a questão da consciência negra?
AES:Justamente para diminuirmos a falta de informação. Tentarmos acabar com todo tipo de preconceito. Muitas vezes agimos pontualmente e não frequentemente. Agimos em datas “comemorativas” como o 13 de maio. Mas essa data, por exemplo, nem é mais comemorada por nós. Ela é questionada. Não houve abolição ou benevolência. Na verdade, o grande tráfico de escravos não servia mais, por isso a Lei Aurea foi assinada. Por isso comemoramos 20 de novembro, dia do assassinato de Zumbi dos Palmares, e 31 de março, que é dia de combate à discriminação racial.
- O que é Cota Social?
Na cota social,metade das vagas reservadas (ou seja, 25% do total de vagas oferecidas no vestibular) serão destinadas a candidatos e candidatas provenientes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita. O texto foi aprovado em 2012.
Autor: Manoel Ramires

Título: Curitiba, PR - Uma luta em primeiro plano, Conteúdo: O debate integra o mês da consciência negra. Nesta entrevista, Angela abordou a importância das políticas reparatórias, preconceito racial, política, integração social e cultura. A professora ainda alfinetou o fim da abolição. Confira: Jornal do Sismuc: Por que os negros precisam de cotas? Eles não podem vencer pelo seu próprio mérito? Angela Elizabeth Sarneski:Nós vencemos pelo nosso próprio mérito. As cotas surgiram para corrigir desigualdades geradas com o movimento escravocrata. Logo, essa ideia de que as cotas raciais, sociais e indígenas tiram vagas é equivocada. Até porque o aluno negro e o da escola pública concorrem na primeira etapa igual a todo mundo (no caso da UFPR). O que a cota faz é criar a oportunidade de nós frequentarmos a universidade pública. Jornal do Sismuc: Os pobres brancos não têm cota. Eles não são duplamente punidos? AES:Eles têm. Essa é uma informação que as pessoas desconhecem. Por isso elas se tornam contra. É necessário, portanto, ampliar esse debate nas escolas. Uma vez, um aluno me disse ser contra a política de cotas. Eu lhe perguntei se ele era contra a cota social. Ele negou. Eu vejo, portanto, isso mais como preconceito do que ser contra, pois essas cotas retiram uma percentagem mínima das vagas que eram preenchidas apenas pela elite antigamente. Jornal do Sismuc: O Brasil já elegeu um metalúrgico e uma mulher que lutou contra a Ditadura. O que precisa para um negro chegar ao ápice? AES:Eu acho que o papel das cotas, no futuro, é justamente criar essas oportunidades. Antigamente não se via a universidade e seus espaços acadêmicos com negros estudando. Hoje, com 10 anos, formamos médicos, advogados, etc. Tem crescida a participação do negro e do branco que veio da escola pública. Por outro lado, há um poder econômico, elitizado, que busca impenossa ascensão. Veja o caso Obama (presidente dos EUA). Ele tem sofrido bastante com uma elite que tenta impeque o país cresça de forma igual. Contudo, mais do que o poder, o que buscamos é uma vida melhor para todos. Jornal do Sismuc: Mais uma vez a justiça proibiu o feriado da consciência negra. Por que isso acontece? AES:Considero uma questão política. A desculpa de que o feriado diminui o comércio não cola. O que se tenta é evitar que o Paraná tenha esse marco que é o 20 de novembro enquanto feriado. Nesta data, com o feriado, estaríamos nas ruas maciçamente comemorando e discutindo as pautas do movimento negro. Jornal do Sismuc: O Brasil e os brasileiros celebram heróis e atos negros? Por que isso acontece. Por que Zumbi não é herói nacional como Tiradentes? AES: Acho que é resultado do preconceito por ele ser negro. Para muita gente, nós temos que ficar em segundo plano. O negro não aparece em livros didáticos como heróis. Nos registros, eles são escravos, humilhados. Por isso, precisamos rever tudo isso. Jornal do Sismuc: Por que é importante os sindicatos e movimentos sociais discutirem a questão da consciência negra? AES:Justamente para diminuirmos a falta de informação. Tentarmos acabar com todo tipo de preconceito. Muitas vezes agimos pontualmente e não frequentemente. Agimos em datas “comemorativas” como o 13 de maio. Mas essa data, por exemplo, nem é mais comemorada por nós. Ela é questionada. Não houve abolição ou benevolência. Na verdade, o grande tráfico de escravos não servia mais, por isso a Lei Aurea foi assinada. Por isso comemoramos 20 de novembro, dia do assassinato de Zumbi dos Palmares, e 31 de março, que é dia de combate à discriminação racial. - O que é Cota Social? Na cota social,metade das vagas reservadas (ou seja, 25% do total de vagas oferecidas no vestibular) serão destinadas a candidatos e candidatas provenientes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita. O texto foi aprovado em 2012. Autor: Manoel Ramires



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