Após assassinato de sindicalista, ônibus param de circular no ES

09/02/2017 - 14:06

Motoristas só voltarão ao trabalho depois de garantida a segurança

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, Wallace Barão, foi encontrado morto a tiros dentro de um carro, na manhã desta quinta-feira (9), em Vila Velha. Após a morte do sindicalista, os rodoviários voltaram a parar na região metropolitana de Vitória (ES). Os ônibus tinham voltado a circular esta manhã. O Estado enfrenta o sexto dia de paralisação dos policiais militares o que tem causado uma grave crise na segurança pública.

O sindicalista foi encontrado morto próximo à garagem da Viação Sanremo, no bairro Alvorada. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa e, até o momento, nenhum suspeito foi detido.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários), Edson Bastos, informou que os ônibus retornaram para as garagens e só voltam a circular quando a segurança for restabelecida no estado. "O governo nos prometeu segurança. Alguns terminais de ônibus tinham tropas do Exército, outros não. Tivemos motoristas ameaçados com armas. Não dá para trabalhar dessa forma", disse Bastos.

Número de homicídios

A Secretaria de Estado de Segurança Pública ainda não tem o balanço das ocorrências no Espírito Santo desde o início das manifestações dos parentes dos PMs em frente aos batalhões de polícia.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emílio Leal, informou que foram registrados 105 homicídios desde sábado (4) até a manhã de hoje no estado, a maior parte na Grande Vitória.

Alguns ônibus da Grande Vitória chegaram a sair das garagens, mas a insegurança fez os motoristas interromperem a circulação. Segundo o Sindirodoviários, dois motoristas foram ameaçados por criminosos, que também disseram que colocariam fogo nos coletivos que circulassem.

“Nossa empresa ainda não passou nada para a gente, mas todos estão recolhendo para a garagem. Também teve toque de recolher em Laranjeiras, aí estão mandando voltar. Estava funcionando com tabela de domingo, aí, agora, está tudo parado”, disse uma funcionária das empresas de ônibus.

Negociações e reforço da segurança

Os manifestantes em portas de quartéis pedem reajuste salarial para os PMs, que são proibidos de fazer greve. O governo diz não ser possível atender o pedido e acusa algumas lideranças movimento de fazer chantagem.

Uma reunião na quarta-feira (8) entre os manifestantes e o governo do estado terminou sem acordo. Um novo encontro está marcado para esta quinta, às 14h, com a contraproposta do governo.

O governo federal anunciou o envio de mais 550 homens das Forças Armadas e 100 da Força Nacional, composta de militares de outros estados. Eles vão se juntar aos mil militares do Exército e 200 policiais da Força Nacional que atuam no Espírito Santo desde o início desta semana. Duzentos homens da Aeronáutica que fazem parte do reforço chegaram na noite de quarta a Vitória.

"Só voltamos quando for seguro"

"A gente tentou, mas não tem como trabalharmos dessa forma. Mataram o Barão, ameaçaram colocar fogo em ônibus, só voltamos quando for realmente seguro transitar", enfatizou Edson Bastos.

No bairro de Laranjeiras, na cidade de Serra, um homem vestido de preto teria mostrado uma arma para o motorista, diz Bastos. "Estamos recolhendo tudo." As empresas chegaram a postar nas redes sociais comunicados informando a paralisação da circulação.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso é investigado e que, até o final desta manhã, nenhum suspeito havia sido preso.

Os passageiros que já haviam embarcado estão sendo levados de volta aos terminais. Em alguns deles, há militares do Exército fazendo a segurança.

O vendedor Airton Amaral Santos planejava retomar sua rotina nesta quinta-feira, mas, ao chegar ao terminal de ônibus de Vila Velha, encontrou os ônibus voltando e desistiu. "Dependo de ônibus, ia fazer cobranças, mas não tem como", diz. Ele conta que, como mora sozinho em Vitória, desde segunda está "sitiado" na casa do irmão, em Vila Velha. "Ouvi tiroteios perto da minha casa na segunda, fugi com a minha gata para o meu irmão. Estamos os dois sitiados com ele.

Entenda a crise no Espírito Santo

No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

Desde segunda-feira (6), o movimento é considerado ilegal pela Justiça do Espírito Santo porque ele caracteriza uma tentativa de greve, o que é proibido pela Constituição. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.