Trabalhadoras discutem os desafios para a ampliação dos direitos das mulheres no Ceará

11/03/2015 - 00:00

O Coletivo Estadual de Mulheres Trabalhadoras da CUT Ceará realizou hoje (10) o Encontro Estadual de Mulheres, na sede da Federação dos Trabalhadores Empregados e Empregadas no Comércio e Serviços do Estado do Ceará (Fetrace).

A atividade reuniu os diversos ramos que forma a organização sindical e contou com o lançamento da Campanha Nacional, que tem como tema “Trabalhadoras em Luta por Igualdade, Liberdade e Autonomia” e a eleição da delegação feminina que participará do 8º Encontro Nacional de Mulheres da CUT.
Convidada para facilitar o debate, Graça Costa, secretária de relações de trabalho da CUT Nacional, falou da luta das mulheres no mundo do trabalho: “Hoje não e só buscar o emprego, mas conquistar a qualidade do emprego, envolvendo equidade, valorização e não condicionamento ao preconceito. A gente precisa continuar essa ocupação de espaço combatendo as desigualdades que nos são impostas somente por sermos mulheres. Por isso que nós da CUT falamos de Igualdade, Liberdade e Autonomia”.
Graça trouxe ainda dados sobre a incidência da violência contra mulher. Segundo ela, há em média 56.337 feminicídios por ano; onde 77% das mulheres em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente por seus próprios companheiros e 94% dos autores da agressão são ex-maridos/namorados. A violência doméstica também atinge os filhos com frequência, quando 64,50% presenciam as agressões e outros 17,73%, além de presenciar, também são vitimas desta. "O caminho de saída desta situação é cada vez mais apostar em medidas que exerçam força sob o preconceito, ao mesmo tempo em que se aprimora a legislação para punir os violadores dos direitos das mulheres, a exemplo da transformação do feminicídio em crime hediondo e a própria Lei Maria da Penha".
Para Enedina Soares, presidenta da Fetamce, espaços como estes são importantes por estimularem a participação das mulheres no movimento sindical. “A gente sai daqui trocando muitas experiências para enfrentar as dificuldades da nossa luta contemporânea. Não podemos calar diante da violência, inclusive quando somos vítimas durante a nossa atividade sindical. Recentemente fomos, em Caucaia, classificadas como o ‘Sind Barbie’, ato machista e grosseiro de um professor que se opunha ao fato de nosso sindicato ser presidido por uma mulher, numa diretoria quase toda feminina”, explicou.
O público do evento também debateu as violências conduzidas pela mídia conservadora do país. Elas se indignaram com charge do jornal O Globo, no último oito de março, que colocava a presidenta Dilma como vítima da tortura do Estado Islâmico. “Inadmissível não só por ser contra uma mulher, mas por ser a primeira mulher Presidente da República, por ser no principal dia de luta feminina e por ainda sabermos que tal ato é movido pelo imperativo de golpe de estado, que quer derrubar a governante que foi eleita democraticamente”, comentou a secretária de relações do trabalho da Central.
“A CUT se faz através de lutas como estas das mulheres, que levam a grandeza do movimento para a nossa vida cotidiana, fazendo a transformação da vida das trabalhadoras”, finalizou a presidenta da CUT Ceará, Joana Almeida.